Canto Cego - Odiar o Fim Foto: Divulgação

Canto Cego lança “Odiar o Fim” e transforma o colapso do mundo em manifesto cyberpunk

A banda Canto Cego inicia uma nova fase com o lançamento de Odiar o Fim, álbum dividido em três partes que utiliza o rock pesado e a estética cyberpunk para refletir sobre temas atuais como inteligência artificial, crise climática, desigualdade social, colonialismo e os desafios de um futuro cada vez mais automatizado.

A primeira parte do projeto do Canto Cego chega com cinco faixas e apresenta uma sonoridade marcada por guitarras distorcidas, baixo pulsante e a intensidade característica do grupo. Ao mesmo tempo, o trabalho amplia o alcance temático da banda ao propor uma discussão sobre os rumos da sociedade contemporânea.

O conceito de Odiar o Fim nasce de um jogo entre as palavras “odiar” e “adiar”, estabelecendo um diálogo com o livro Ideias para adiar o fim do mundo, de Ailton Krenak. A proposta é transformar a indignação em uma força capaz de provocar mudanças, em vez de alimentar a paralisia diante dos problemas do mundo.

A abertura do álbum fica por conta de Revolta Analógica, que funciona como um manifesto contra a dependência de sistemas automatizados e questiona a perda da autonomia humana. Em seguida, Os Muros aborda fronteiras físicas e simbólicas, discutindo conflitos, divisões e a falsa promessa de segurança construída por estruturas de poder.

Já a faixa-título ocupa o centro conceitual do trabalho. Com influências do nu metal e uma sonoridade ainda mais pesada, a música retrata um futuro dominado por máquinas e sistemas que parecem escapar ao controle humano. Nesse contexto, o ódio surge não como destruição, mas como impulso para agir e transformar a realidade.

O álbum ainda apresenta Paraquedas, que mistura crítica social e reflexões sobre desigualdade, e Margem, faixa que encerra esta primeira etapa com uma atmosfera mais contemplativa. A canção imagina um cenário de transformação provocado pelo avanço da natureza, equilibrando sentimentos de ameaça e esperança.

Além do lançamento, a Canto Cego já iniciou uma série de apresentações pelo projeto Sesc Pulsar e também confirmou presença no Rock in Rio 2026, onde se apresentará no Espaço Favela durante o dia dedicado ao metal.

Com Odiar o Fim, a Canto Cego reforça sua identidade ao unir peso, crítica social e reflexão em um trabalho que transforma o sentimento de colapso em um convite à resistência e à construção de novos futuros.

Já de olho na banda desde 2017, com Valente, passando por Karma e o último álbum, Canto Cego, de 2023, o EP é mais uma prova de que a banda caminha em direção à originalidade de sempre com uma criatividade crescente.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima