Mateus Aguiar - Pleno Desastre Foto: Divulgação

Entre o caos e a reconstrução: Mateus Aguiar lança “Pleno Desastre”

O cantor e compositor pernambucano Mateus Aguiar apresenta o álbum Pleno Desastre, trabalho que transforma experiências pessoais em música e percorre uma intensa jornada de autoconhecimento. Com nove faixas, o disco nasce da dor, atravessa momentos de vulnerabilidade e termina apontando para a cura e a reconstrução.

Com influências de indie rock, rock alternativo, pop rock e emo rock, o álbum reúne composições confessionais que refletem diferentes fases da vida do artista. Produzido por Álvin Soares, que também assina as composições ao lado de Mateus na maior parte do repertório, o trabalho foi construído a partir de experiências reais e de um período marcado por crises emocionais, dúvidas e tentativas de reencontro consigo mesmo.

Segundo o músico, o disco retrata uma trajetória que começa na autodestruição, passa pelas fugas em vícios e relacionamentos passageiros e culmina em uma espécie de morte simbólica do antigo eu. O resultado é um álbum que aborda temas como solidão, dependência emocional, saúde mental, autoaceitação e superação.

A sonoridade acompanha essa transformação. Em alguns momentos, o disco aposta em guitarras intensas e atmosferas densas; em outros, abre espaço para passagens mais leves e contemplativas. Essa diversidade sonora aproxima o trabalho de referências como Pitty, Terno Rei, Adorável Clichê e Exclusive Os Cabides, sem perder a identidade própria.

O percurso começa com O Rastejador, que aborda crises existenciais e a perda de identidade, e segue por canções como Péssimo no Amor, sobre recaídas afetivas e expectativas frustradas, e Canabrava, que retrata o despertar para a solidão e a necessidade de romper ciclos. Em Lítio, o clima se torna mais sombrio ao explorar o vazio emocional e os excessos.

A faixa Morto de Primeira, lançada anteriormente como single, representa um ponto de virada dentro da narrativa do álbum. A partir dela, as músicas passam a refletir um processo de transformação mais evidente. Canções como Viver Pra Sempre, Só Posso Ser Eu e Sem Fim falam sobre renascimento, amadurecimento, liberdade e reconciliação com a própria trajetória.

Produzido integralmente por Álvin Soares, o álbum também conta com a participação de Carlos Hiury da Silva em pianos e sintetizadores. Os arranjos equilibram elementos orgânicos e eletrônicos, ampliando a carga emocional das composições e reforçando a proposta narrativa do trabalho.

Mais do que um álbum sobre sofrimento, Pleno Desastre é um registro sobre transformação. Um trabalho que encontra beleza nas cicatrizes e transforma momentos difíceis em canções capazes de conectar vulnerabilidade, reflexão e esperança.

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