Slow Pulp, Wishy, Blondshell e beabadoobee: as vozes femininas comandam o revival 90’s em 2026!
Slow Pulp, Wishy, Blondshell e beabadoobee: as vozes femininas comandam o revival 90’s!
O rock alternativo dos anos 1990 continua sendo uma fonte interminável de inspiração para uma nova geração de artistas. Guitarras distorcidas, melodias melancólicas, vocais que alternam delicadeza e intensidade e aquela mistura característica de pop e ruído, em climas agridoces, seguem presentes na produção de bandas e cantoras jovens.
Em um intervalo bastante curto de tempo, quatro lançamentos reforçam essa tendência: Melodie, do Slow Pulp; Pylon, de beabadoobee; Violins, de Blondshell; e Nature’s Pill, do Wishy. São trabalhos que seguem a cartilha do indie rock noventista, mas que também demonstram como essa sonoridade pode ser explorada a partir de diferentes referências. E há outro ponto em comum: a presença feminina no protagonismo dessa renovação.
Slow Pulp – Melodie (18 de setembro)
No terceiro álbum, o quarteto norte-americano Slow Pulp incorpora violões e eventuais intervenções de piano ao seu indie rock de guitarras, já conhecido por trabalhar com elementos de dream pop e shoegaze. O disco começa de maneira mais introspectiva, com as faixas de arranjos sem acústicos “Yellow and Green” e “These Days”, e vai ganhando peso ao longo da tracklist, sem perder a delicadeza natural da voz de Emily Massey. O resultado é um equilíbrio interessante entre as diferentes dinâmicas das canções.
Ouça: “Better Man”
beabadoobee – Pylon (18 de setembro)
A cantora britânica de ascendência filipina Beatrice Kristi Ilejay Laus, mas conhecida como beabadoobee também mergulha de cabeça no rock alternativo dos anos 90, desde que chamou atenção com algumas canções despretensiosas publicadas no YouTube, há poucos anos. Em seu quarto álbum, ela retoma uma sonoridade mais carregada de guitarras, depois de trabalhar com o renomado Rick Rubin na produção do disco anterior. A visibilidade conquistada ao abrir shows de Taylor Swift em parte da etapa norte-americana da turnê The Eras Tour também ajudou a ampliar seu público. O resultado combina agressividade instrumental com seu habitual talento para construir melodias pop e traz participações de artistas de peso, como Hayley Williams (Paramore), Brendan Yates (Turnstile) e Chino Moreno (Deftones). A conexão com outros artistas dessa nova geração aparece também na turnê recente, que teve Violet Grohl, outra jovem artista ligada à estética noventista e com álbum de estreia lançado em 2026, como atração de abertura em algumas datas da etapa europeia.
Ouça: “Sun Has Set”
Blondshell – Violins (25 de setembro)
Em Violins, Sabrina Teitelbaum, a Blondshell, aprofunda sua identidade musical, mantendo o grunge e o rock alternativo noventista como principais referências. As guitarras distorcidas seguem em destaque, mas aparecem acompanhadas de melodias mais elaboradas e momentos de maior delicadeza. Conforme já destacado em nosso site, no dia do lançamento do álbum, o sucessor de “If You Asked for a Picture” (2025) e produzido por Yves Rothman aborda temas como violência, religião e amizades complexas. Teitelbaum comentou que a escrita “ficou um pouco menos literal. Há mais imagens. Mas meu principal objetivo com este disco era ter músicas que causassem um forte impacto. Eu queria grandes linhas de melodia.”
Ouça: “Stone Fruit”
Wishy – Nature’s Pill (2 de outubro)
Depois de passar recentemente pelo Brasil, com apresentação no Balaclava Fest 2026, o Wishy mostra em seu segundo álbum que tem mais a oferecer do que uma simples reverência ao rock alternativo dos anos 90. Logo na abertura, “All The Rage” surpreende com uma sonoridade jangle pop oitentista. Ao longo do disco, a banda transita por shoegaze, dream pop, power pop e indie rock, revelando uma variedade de influências que, embora torne o trabalho menos coeso em comparação com o bom Triple Seven (2024), ao menos apresenta um leque maior de possibilidades para o futuro do grupo. Aqui, além da voz de Nina Pitchkites, existe uma alternância dos vocais e composições com Kevin Krauter, outro membro fundador do grupo.
Ouça: “Lovesick”
O passado continua fazendo barulho. E esses quatro lançamentos mostram que o revival dos anos 90 está longe de se esgotar. Com novas vozes, diferentes influências e muitas guitarras distorcidas, essa geração segue encontrando maneiras de manter viva uma das sonoridades mais marcantes da história do rock.
Assim como na sonoridade, os assuntos não são novos: a nostalgia da infância e da adolescência, os desafios da entrada na vida adulta, o aprendizado constante com as relações e os sentimentos envolvidos. Se não há nada muito político, ao menos até esse momento, existe nesses trabalhos uma boa possibilidade de conexão com os jovens que estão chegando e descobrindo o bom, velho e combalido rock.
São discos que, naturalmente, não reinventam a roda, de artistas que demonstram enorme potencial para agregar cada vez mais personalidade própria aos seus trabalhos num futuro próximo, ocupando um nicho importante e com boas perspectivas de construção de carreiras longevas e bem-sucedidas.