Cacimba celebra uma década de trajetória com o lançamento de Luminosa – Ato 1: Lua. O projeto inaugura uma obra dividida em dois atos, Lua e Sol, pensados como metáforas de diferentes luminosidades. A Lua marca o início da narrativa ao representar mistério, intuição e espiritualidade, enquanto o Sol simbolizará expansão e realização.
O primeiro ato reúne canções autorais e tradicionais que refletem a fé e as raízes da artista. A proposta nasce da Música Popular Brasileira atravessada pela afro religiosidade, conectando ancestralidade e contemporaneidade em uma sonoridade que passeia por samba rock, samba, pop, afrobeat, kuduro e música caipira inspirada nas congadas do Rosário do Vale do Jequitinhonha. O asalato, instrumento que remete às origens de Cacimba, marca presença em todo o trabalho. “Luminosa fala sobre autoestima e sobre reconhecer o próprio brilho em um mundo que exige demais de nós”, afirma a artista.
O disco abre com Exu, uma poesia em forma de reza, e segue com Padê Onã, ambas com participação de Alessandra Leão, referência fundamental na formação espiritual e musical de Cacimba. A artista relembra que Padê Onã foi um ponto de força em momentos decisivos, chegando a embalar seu filho durante o puerpério.
A espiritualidade se manifesta em todo o repertório: Pombagira/Dona da Casa/Maria Mariá exalta o sagrado feminino; Oyá une a força dos ventos ao kuduro angolano; Ponto de Oxum e Canto de Iemanjá reverenciam as yabás das águas. O álbum também revisita tradições em Preto Velho, O Sino da Igrejinha e Se Meu Pai é Ogum, além de resgatar as memórias quilombolas da família da artista ao celebrar Oxóssi, Oxalá e Xangô.
A produção musical é assinada pelos Los Brasileros e por Dmax, e o lançamento chega com um visualizer para Exu (Padê Onã), dirigido por Gabriel Sorriso, com imagens registradas no estúdio Head Media. A identidade visual acompanha o conceito: a capa apresenta a Lua como personagem central, símbolo do mistério e da intuição, em uma criação elaborada por Cacimba com uma equipe feminina, com direção de arte de Flora Negri, maquiagem de Larissa Liss e figurino de Geórgia Feola.
O segundo capítulo, Sol, virá em seguida, representando a energia expansiva, a vivência e a alegria cotidiana. Se a Lua mergulha em introspecção, fé e espiritualidade, Sol revelará o lado luminoso da convivência e da celebração. Para Cacimba, o projeto reafirma “a riqueza da afro-brasilidade e da afro religiosidade, que influenciam profundamente vários ritmos da nossa música popular”.



