My New Band Believe. Crédito: Divulgação.

Cameron Picton, ex-black midi, detalha processo criativo do projeto My New Band Believe

Cameron Picton, membro fundador da banda de rock experimental black midi, lançou seu novo projeto musical, My New Band Believe. O álbum autointitulado, “My New Band Believe”, já está disponível e foi tema de uma entrevista onde Picton detalhou o processo criativo, a produção de videoclipes e a arte da capa. O projeto surgiu após a dissolução do black midi em agosto de 2024, com Picton buscando uma nova direção musical.

O nome “My New Band Believe” surgiu para Picton durante uma turnê pela China com sua antiga banda, em um momento de devaneio febril. Após a separação do black midi, e com Geordie Greep sendo o primeiro a lançar um álbum solo, “The New Sound”, Picton explorou diferentes pseudônimos antes de decidir pelo nome atual. A ideia inicial era uma colaboração com o octeto avant-folk caroline, mas o projeto evoluiu para um trabalho de estúdio mais aberto, com a participação de membros do caroline, Black Country, New Road, shame e outros artistas. Picton cuidou da maior parte da composição e da edição, buscando criar uma coerência natural na sonoridade do álbum. O álbum “My New Band Believe” foi lançado pela Rough Trade Records.

Em entrevista à Our Culture Mag, Picton abordou a produção dos videoclipes do álbum. Ele revelou que já existem vídeos para metade das faixas e que a intenção era criar um para cada música. “Há algumas pessoas que eu abordei – pensei que seria muito legal fazê-las um vídeo, mas acho que elas não sabem usar os telefones”, disse Picton, explicando a dificuldade de contato. Ele também mencionou que, em vez de um único vídeo de alto orçamento, o dinheiro foi distribuído entre as músicas, dando aos diretores total liberdade criativa. Em alguns casos, como no vídeo de Park Kyujae para “One Night”, foram reutilizadas filmagens antigas.

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A arte da capa, uma pintura do artista Kuo Jun You, também foi discutida. A imagem, que retrata uma cena de um sonho de Picton, foi inicialmente pensada como uma fotografia encenada, mas o custo levou à opção da pintura. Picton expressou o desejo de que a capa fosse vista como um objeto reverenciado, chegando a providenciar uma moldura para a pintura. A capa do CD deluxe, inclusive, apresenta um recorte que destaca um homem com um detonador.

Sobre o processo de escrita e gravação, Picton destacou sua preferência por trabalhar rapidamente, contrastando com a abordagem mais analítica do caroline, com quem colaborou. “Eu gosto de trabalhar muito rápido”, afirmou Picton, que já havia em entrevista à Our Culture Mag. Ele viu essa diferença como uma oportunidade de explorar novas formas de trabalho. A flexibilidade se estende às apresentações ao vivo, onde as músicas podem ser interpretadas de maneiras diferentes das versões do álbum.

O futuro do projeto inclui planos para mais gravações. Picton tem muitas ideias e músicas semi-acabadas, com a expectativa de um novo lançamento, seja um disco ao vivo ou de estúdio, até o final do ano. Ele também comentou sobre o processo de composição das letras, que ocasionalmente inclui linhas de conversas ou até mesmo de diários de amigos, sempre com consentimento. A gravação dos vocais, um processo sensível, é majoritariamente feita por ele, embora haja abertura para outros cantores em shows. Em uma declaração no Instagram, ele mencionou que algumas palavras foram creditadas a outros.

Jasper Llewellyn e Mike O’Malley, do caroline, são creditados como produtores ao lado de Picton. Ele descreveu seu papel como mais executivo na fase de edição, unindo diferentes gravações para criar uma sonoridade coesa e natural, mesmo quando as partes não poderiam ter sido executadas simultaneamente em um único ambiente. Momentos como a gravação íntima de “Opposite Teacher” com um único microfone no quarto, ou o final de “Pearls”, onde o microfone capta o som da rua, exemplificam essa abordagem experimental. Picton também utiliza gravações de celular para registrar ideias, revisando-as periodicamente.

Apesar da liberdade criativa, Picton reconhece as limitações de trabalhar com pessoas diferentes a cada vez, o que dificulta o desenvolvimento de ideias mais complexas ao longo do tempo. No entanto, ele vê o desafio de convencer as pessoas a tocarem como quiserem, sem se prenderem à versão do álbum, como parte da proposta aberta do My New Band Believe.

(Via: Our Culture Mag)

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