Resumo
- ▪ Beck lança "Ride Lonesome" após sete anos, um álbum focado em emoções e sonoridade acústica.
- ▪ O artista explica que o disco é um "registro de desgosto" e reflete sobre perdas e mudanças de vida.
- ▪ Ele discute a dificuldade de ser sincero na música dos anos 90 e a importância da conexão humana em contraste com a inteligência artificial.
Beck concedeu uma entrevista à NME, onde abordou o processo de criação de seu novo álbum, “Ride Lonesome”, e sua trajetória musical desde os anos 90, muitas vezes mal compreendida por suas mudanças de gênero.
O encontro aconteceu nos escritórios de sua gravadora em Londres, onde Beck, apesar do jet lag, descreveu o novo trabalho como “um devagar, crepuscular, Mojave, acústico, um transe de som e emoção”. Sete anos se passaram desde seu último álbum, “Hyperspace”, mas o artista se manteve ativo com turnês mundiais, incluindo uma aclamada série orquestral no ano passado, além de se dedicar intensamente às músicas de “Ride Lonesome”.
Ele revelou que o disco poderia ter sido lançado há um ano e meio. “Eu ia terminar este disco e lançá-lo em 2023, mas acabei arquivando-o por dois anos”, disse Beck. “Eu não tinha certeza sobre as músicas, não achava que eram fortes o suficiente, e eu simplesmente não estava no clima para o que o disco exigiria para realmente vivê-lo e trazê-lo à vida.”
Questionado se é muito duro consigo mesmo, Beck respondeu: “Eu sou realista! A gente torce pelo melhor para algumas de nossas músicas, mas à medida que envelhecemos, somos um pouco mais realistas sobre o que a música é e o que ela poderia ser.”
“Ride Lonesome” segue a linha acústica e emocional de clássicos como “Sea Change” e “Morning Phase”, distanciando-se do rock alternativo de “Mellow Gold”, “Odelay” ou “Midnite Vultures”. Para este projeto, Beck reuniu sua banda original dos anos 90, que gravou “Sea Change” e “Morning Phase”, e contou com a mixagem de Nigel Godrich. Ele descreveu o grupo de músicos como sua versão de “The Wrecking Crew”. “Existe uma química musical que é algo gratificante para nós”, compartilhou. “É um relacionamento de muitas décadas que só se aprofunda e ganha mais formas, cor e nuances com o tempo.”
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O álbum é, segundo Beck, um “registro de desgosto”, com letras diretas sobre “lidar com a perda, deixar as coisas irem, navegar por esses lugares emocionalmente impossíveis e tentar superar esses momentos”. Ele também refletiu sobre a dificuldade de expressar sinceridade na música dos anos 90, uma época em que a autenticidade era valorizada, mas a “sinceridade parecia nauseante”.
Sobre a influência da inteligência artificial na música, Beck se posiciona a favor do esforço humano. “A maioria dessas músicas foi gravada ao vivo em uma sala. São apenas cinco pessoas em uma sala tocando: sem truques, sem edições, somos nós e é assim que soamos juntos, sentados em um espaço em tempo real.” Ele comparou a experiência de uma orquestra ao vivo com a otimização da tecnologia, ressaltando o valor da conexão humana.
A próxima turnê de Beck, que começa em 22 de setembro na América do Norte, promete ser uma “experiência” diferente, com um tom “lento e sombrio”, buscando mais uma produção teatral do que um show de rock tradicional. O álbum “Ride Lonesome” será lançado em 18 de setembro pela Capitol Records.
(Via: NME)



