Existe um mundo novo e Lorena Moura quer te mostrar. “Mata-Leão”, disco que chegou em 12 de novembro, fica antes e depois da música brasileira contemporânea, tem uma levada de jazz e é onde o tempo vira poesia. A melancolia, sedução, mistério, tédio e coragem são combustíveis das letras, assinadas pelo poeta, compositor e historiador da arte Luca Fustagno. O trabalho tem produção de Paulo Emmery, com co-produção de Antonio Fischer-Band e estreia ao vivo em 11 de novembro no palco do Clube Manouche, no Rio de Janeiro.
“Mata-leão é uma técnica de estrangulamento das artes marciais, mas aqui o relacionamos ao ditado popular que prescreve ‘matar um leão por dia’, ou seja, superar desafios hercúleos diariamente. Em ‘Mata-Leão’, os desafios são os dias em si. Dias com cara de fim dos dias, que confrontam os personagens das músicas e a própria voz que os canta”, explicam, juntos, Lorena e Luca.
Melhores amigos desde o tempo da escola, Lorena e Luca se conheceram aos 13 anos, e passaram juntos por momentos formativos, descobertas, desencantos, incertezas e certezas totais. Juntos, encararam o isolamento social de 2020/2021, e saíram desse período com o início do que se tornaria um repertório sensível e provocante. “Foi um intensivão de acordar e sair correndo pro piano. Contou com muita bagunça e muita falta de traquejo, mas desse esforço saiu ‘Carinho'”, relembra Luca, em menção à primeira composição deles juntos.
Trilha sonora de uma noite toda na rua, ou num apartamento qualquer do Rio, “Mata-Leão” é um disco que se inspira, mas não se prende à ocasião ou ambiente. Está mais conectado à ideia de transição e aos espaços liminares onde a vida realmente acontece. Entre sacadas e asfalto, entre o dentro e o fora, o álbum habita os espaços de transição que transformam a distância entre quaisquer dois pontos em um terceiro, novo lugar.
São canções que capturam aqueles momentos decisivos, em que tudo está prestes a mudar: o instante antes do pulo em “Carinho”, o amanhecer que ainda não se consolidou em “Manhã”, o domingo que paira entre uma semana e outra. Não é sobre finais ou inícios definidos, mas sobre o estado de suspensão entre eles, onde identidades se confundem e o “eu” vira “você”, o “Perigo”, que está simultaneamente no bar e no quarto.
Envolvente e elegante, “Mata-Leão” conduz o ouvinte por uma experiência sonora completa. Ao longo de oito faixas, o disco de estreia de Lorena Moura passa pela literatura, fazendo alusão a autoras como Adília Lopes e Hilda Hilst, e reverencia grandes nomes da música brasileira, como Guinga, Hyldon, Evinha e Rita Lee. No disco ainda reverbera a influência de artistas da nova geração, como Ana Frango Elétrico, Bruno Berle e Dora Morelenbaum.
Sobre influências, Lorena conta: “Minhas primeiras composições foram numa época em que eu estava vidrada na Angela Ro Ro. Ela, pilotando o piano e seduzindo a melancolia. Acho que foi com isso que comecei”.
Por trás das canções, está uma parceria criativa singular que une melodia e palavra. “Tenho a sorte de poder trabalhar com uma matéria prima tão preciosa como o que o Luca escreve, enquanto trago as melodias e harmonias, trabalho que amo e me surpreendo sempre”, explica Lorena sobre o processo de trabalho na criação das músicas que compõem o álbum.
Impulsionado pela cena musical formada entre Rio-São Paulo, o disco foi concebido com apoio de amigos e artistas que colaboraram com sua produção. Desde a inspiração até a troca de figurinhas, contou com a participação da escritora Maria Santos, que vê sua poética presente nas canções “Quis”, “Elise” e “Tripulação/Eu”, e de múltiplos músicos convidados ao longo do caminho: Antonio Neves, Marcelo Costa, Gabriel Quinto, Guilherme Lírio e muitos mais.
Amadurecendo ideias e sonoridades ao longo do caminho, “Mata-Leão” foi produzido por Paulo Emmery, que também colaborou com synths e baixos, além de masterizar a obra. O disco foi co-produzido com Antonio Fischer-Band, responsável também pelas teclas e pela mixagem ao lado de Emmery.



