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Britpop

O movimento que levou Oasis, Blur, Pulp e Suede ao topo das paradas britânicas nos anos 90, da reação ao grunge à ressaca de 1997.

Redação Indie Rock Brasil · Atualizado em · 6 min de leitura

Liam Gallagher, Paul ‘Guigsy’ McGuigan e Noel Gallagher, do Oasis, em 1996
Liam Gallagher, Paul ‘Guigsy’ McGuigan e Noel Gallagher, do Oasis, em 1996. Foto: Mick Hutson/Redferns/Getty

Britpop foi o movimento do rock britânico de guitarras que dominou as paradas do Reino Unido entre 1993 e 1997. As bandas olhavam para o pop britânico dos anos 60, de Beatles e The Kinks, e para o glam dos anos 70, com refrões feitos para cantar junto e letras sobre a vida, os lugares e a juventude do país.

Foi também uma resposta ao grunge americano. Muita gente trata o britpop mais como um momento cultural do que como um gênero musical fechado: além do som, havia uma ideia de orgulho britânico que chegou à imprensa e à política.

Origem e história

O britpop saiu da cena independente britânica do fim dos anos 80 e começo dos 90. Bandas como The Smiths e The Stone Roses são vistas como precursoras, ao lado de The Kinks.

O nome tem uma história própria. O jornalista John Robb diz ter usado a palavra “Britpop” no fim dos anos 80, para falar de grupos como The La's e The Stone Roses, mas o termo não pegou. Ele começou a circular na imprensa musical em 1993, quando Stuart Maconie o usou, e se popularizou nos dois anos seguintes. A edição de abril de 1993 da revista Select, com o título “Yanks Go Home!” e Brett Anderson, vocalista do Suede, diante de uma bandeira britânica, costuma ser apontada como o ponto de partida do movimento.

O Suede abriu caminho: a estreia “Suede”, lançada em 29 de março de 1993, chegou ao 1º lugar no Reino Unido. Em 1994 vieram os dois discos que transformaram a cena em fenômeno. “Parklife”, do Blur, saiu em abril, chegou ao topo e ganhou o Brit Award de melhor álbum britânico em 1995. “Definitely Maybe”, do Oasis, saiu em 29 de agosto e foi a estreia que vendeu mais rápido na história do Reino Unido até então. Suede, Blur e Oasis formaram, com o Pulp, o chamado “big four” do britpop.

O auge: a Batalha do Britpop e Knebworth

O momento mais famoso do movimento foi uma disputa de paradas. Em 14 de agosto de 1995, Blur e Oasis lançaram singles no mesmo dia: “Country House” e “Roll With It”. O resultado saiu em 20 de agosto: o Blur ficou em 1º lugar, com cerca de 274 mil cópias vendidas na semana, e o Oasis em 2º, com cerca de 216 mil. Foi a semana de maior venda de singles no país em uma década.

O Oasis respondeu nos palcos. Em 10 e 11 de agosto de 1996, a banda tocou para cerca de 125 mil pessoas por noite em Knebworth, na Inglaterra, depois de receber em torno de 2,5 milhões de pedidos de ingresso. Na mesma época, o britpop virou peça central da “Cool Britannia”, a onda de orgulho da cultura britânica que levou Liam Gallagher à capa de uma edição especial da Vanity Fair em março de 1997 e Noel Gallagher a uma recepção do primeiro-ministro Tony Blair em Downing Street, em julho do mesmo ano.

Características do som

O britpop é rock alternativo de guitarras com cara de pop. As canções têm melodias claras e refrões grandes, pensados para estádio e para o rádio, e as referências vêm de dentro de casa: Beatles e The Kinks, o mod de The Who e Small Faces, o glam dos anos 70.

As letras falam de lugares, costumes, personagens e da juventude britânica, como nas crônicas do Blur e do Pulp. Ser britânico era parte do assunto.

O fim do britpop

O movimento perdeu força entre 1997 e 1998. “Be Here Now”, do Oasis, saiu em 21 de agosto de 1997 e foi o álbum que vendeu mais rápido na história das paradas britânicas. Foi elogiado no lançamento, mas a crítica depois o reavaliou como um disco inchado e exagerado. No mesmo ano, o Blur lançou o disco “Blur” e trocou o britpop pelo som lo-fi de bandas americanas como Pavement, enquanto “OK Computer”, do Radiohead, e “Urban Hymns”, do The Verve, levaram a atenção para outro lado. “This Is Hardcore”, que o Pulp lançou em março de 1998, é lido como o disco de despedida da era.

Post-britpop e herdeiros

Do fim dos anos 90 ao começo dos 2000 surgiu o post-britpop, uma geração de bandas de guitarra que veio depois de Oasis e Blur, com letras mais introspectivas e menos presas à identidade britânica. Travis, Stereophonics, Coldplay, Embrace, Elbow, Starsailor e Idlewild são os nomes mais citados, e o Coldplay virou o maior sucesso comercial dessa leva.

O britpop também continua vivo nas próprias bandas. Em 2025, o Oasis voltou aos palcos com a turnê Live '25, e o Indie Rock Brasil acompanha as notícias do grupo e dos irmãos Gallagher na página do Oasis.

Bandas essenciais

  • Oasis

    A banda de Manchester formada em 1991 virou a cara do britpop: “Definitely Maybe” (1994) foi a estreia que vendeu mais rápido no Reino Unido na época, e os shows de Knebworth, em 1996, reuniram cerca de 125 mil pessoas por noite.

  • Blur

    Com “Parklife” (1994), 1º lugar nas paradas e Brit Award de melhor álbum, o Blur fez as crônicas mais conhecidas da vida inglesa no britpop. Venceu a Batalha do Britpop com “Country House”.

  • Pulp

    Formado em Sheffield em 1978, o grupo de Jarvis Cocker chegou ao auge na era do britpop: “Different Class”, de outubro de 1995, chegou ao 1º lugar.

  • Suede

    Foi quem abriu a porta: a estreia “Suede” (1993) chegou ao topo, e Brett Anderson estampou a capa da Select apontada como marco inicial do movimento.

  • Elastica

    A estreia “Elastica”, lançada em março de 1995, chegou ao 1º lugar no Reino Unido.

  • Supergrass

    A estreia “I Should Coco” (1995) chegou ao 1º lugar no Reino Unido.

  • The Verve

    A banda de Wigan lançou “Urban Hymns” (1997), 1º lugar e segundo álbum mais vendido do ano no Reino Unido.

  • Ocean Colour Scene

    “Moseley Shoals”, lançado em abril de 1996, foi gravado no estúdio da própria banda, em Birmingham.

  • Manic Street Preachers

    A banda galesa entra nas listas do britpop por “Everything Must Go” (1996), 2º lugar nas paradas. A classificação divide opiniões.

  • Kula Shaker

    O álbum “K”, de setembro de 1996, chegou ao 1º lugar no Reino Unido.

  • Sleeper

    Um dos nomes da segunda linha do movimento, lembrado pelo álbum “Smart” (1995).

  • Echobelly

    Parte da chamada segunda onda do britpop, com o álbum “On” (1995).

Álbuns para começar

Dez discos, em ordem de lançamento, para entender o movimento do começo ao fim.

  1. 1993 Suede, Suede
  2. 1993 Modern Life Is Rubbish, Blur
  3. 1994 Parklife, Blur
  4. 1994 Definitely Maybe, Oasis
  5. 1995 Elastica, Elastica
  6. 1995 I Should Coco, Supergrass
  7. 1995 (What's the Story) Morning Glory?, Oasis
  8. 1995 Different Class, Pulp
  9. 1996 Moseley Shoals, Ocean Colour Scene
  10. 1997 Urban Hymns, The Verve

Perguntas frequentes

O que significa a palavra britpop?

É a junção de “Brit”, de britânico, com “pop”. O termo designa o rock de guitarras com apelo pop feito por bandas britânicas em meados dos anos 90, como Oasis, Blur, Pulp e Suede.

Britpop é rock?

Sim. O britpop é um estilo do rock alternativo britânico: guitarras, baixo e bateria a serviço de melodias pop. Ele saiu da cena indie rock do Reino Unido e levou esse som às paradas.

Qual era o estilo musical do Oasis?

O Oasis é uma das bandas que definem o britpop e faz parte do “big four” do movimento, com Blur, Pulp e Suede. O som é rock de guitarras com refrões grandes, na linha do pop britânico dos anos 60.

Radiohead é britpop?

Não exatamente. O Radiohead é da mesma época, e “The Bends” (1995) aparece em listas de discos do britpop, mas a banda se afastou da cena: Thom Yorke criticou o britpop por ser voltado para o passado, e “OK Computer” (1997) rompeu com aquele som.

O que é post-britpop?

É a geração de bandas de guitarra do fim dos anos 90 e começo dos 2000 que veio depois de Oasis e Blur, com letras mais introspectivas e menos centradas na identidade britânica. Travis, Stereophonics, Coldplay, Embrace e Elbow são os nomes mais conhecidos.

Atualizado em 29 de outubro de 2026. Fontes: Wikipédia, AllMusic, NME, Radio X, Official Charts Company, Far Out, Exclaim!, The Quietus, Grammy.com, The Conversation.

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