O grupo instrumental gaúcho Trabalhos Espaciais Manuais (TEM) acaba de lançar seu álbum de estreia, “Ponto de Curva”. O disco consolida a história da banda e a projeta para além do cenário gaúcho, reunindo em estúdio a força coletiva que acompanha o grupo desde seus primeiros registros e apresentações.
A sonoridade do álbum combina elementos presentes na trajetória da TEM desde sua origem: o trio de saxofones à frente e a percussão pulsante ganham novas camadas com sintetizadores, pads e bass synth. Levadas inspiradas em drum and bass se somam à identidade orgânica que sempre marcou os shows da banda, criando uma atmosfera mais espacial e experimental. Mesmo sendo um fonograma, o trabalho consegue transmitir a intensidade e a vibração do improviso que definem as apresentações ao vivo.
A produção ficou a cargo de Duda Raupp, vencedor do Grammy Latino 2025 pelo álbum “Um Mar Pra Cada Um” de Luedji Luna. Com escuta aberta e curiosa, Duda ajudou a organizar as ideias do grupo e implementou novas referências que deram identidade ainda mais singular ao som da TEM.
As participações especiais ampliam o diálogo da banda com diferentes vozes da música brasileira. A faixa “Prazerá” reúne Di Melo, figura central do soul e da música negra brasileira desde os anos 1970, e Lívia Nery, artista que representa uma nova geração da música pop contemporânea. No encerramento do disco, Saskia participa de “Miragem de Iara pt. 2”, estabelecendo uma conexão com a cena contemporânea do sul do país.
Ritmicamente, o trabalho mantém as raízes que acompanham a banda desde o início: groove, soul e funk. Ao mesmo tempo, explora ritmos como hip-hop, baião, jongo e afrobeat. A faixa que dá nome ao álbum sintetiza essa diversidade com potência, abrindo caminho para um verdadeiro registro de maturidade criativa da Trabalhos Espaciais Manuais.



