Deadletter. Foto: Reprodução.

DEADLETTER – “Existence Is Bliss”: o caos controlado e a busca por sentido em tempos de saturação

O DEADLETTER volta à linha de frente do pós-punk britânico com “Existence Is Bliss”, segundo álbum de estúdio, previsto para 27 de fevereiro de 2026 pela SO Recordings. O anúncio marca a consolidação de uma das bandas mais observadas da nova cena alternativa inglesa — um grupo que, desde sua estreia, tem equilibrado discurso social afiado, ironia e urgência rítmica.

Formada em 2020 por Zac Lawrence (vocais), Alfie Husband (bateria) e George Ullyott (baixo), a banda rapidamente cresceu para um sexteto, incorporando saxofone e guitarras angulares que evocam tanto o DNA do Gang of Four quanto a tensão moderna de Squid e Shame. Após o debut “Hysterical Strength” (2024), que chamou atenção pela mistura de caos e precisão, o DEADLETTER retorna com um álbum que promete mergulhar ainda mais fundo no desconforto contemporâneo.

O primeiro single, “To The Brim”, já disponível com clipe, serve como uma espécie de declaração de intenções. A canção, segundo o grupo, “explora a negação e a sensação de ficar transbordando de desespero” — e, de fato, soa como um desabafo embalado por linhas de baixo insistentes e vocais quase declamatórios de Lawrence. Musicalmente, o DEADLETTER busca aqui “um recomeço”, sem perder o nervo rítmico que se tornou sua assinatura.

Em comunicado, o sexteto descreve “Existence Is Bliss” como um disco que expressa a decisão de “viver em meio à impureza, e não apenas existir”. O título, ao que tudo indica, carrega ironia e provocação — um convite à reflexão sobre o que significa encontrar beleza no caos. Entre as 12 faixas confirmadas, destacam-se “Purity I”, “Songless Bird” e “(Back To) The Scene of the Crime”, títulos que já sugerem o mesmo espírito entre o existencial e o urbano que permeia a obra da banda.

Para apresentar o novo material, o DEADLETTER anunciou uma turnê pelo Reino Unido e pela Europa, entre fevereiro e maio de 2026. A série de shows começa em Londres, no icônico KOKO, passando por Bristol, Nottingham, Newcastle, Glasgow e Leeds, antes de cruzar o continente com datas na Alemanha, República Tcheca, Áustria, Itália, Holanda, França, Bélgica, Espanha e Turquia.

O que faz o DEADLETTER se destacar entre os muitos herdeiros do pós-punk é o equilíbrio entre performance e discurso. A banda soa politizada sem ser panfletária, sombria sem recorrer ao clichê. Há algo quase teatral na forma como Zac Lawrence encarna a angústia cotidiana de uma geração que vive à beira da saturação — entre o tédio urbano, o cinismo político e a necessidade de encontrar algum propósito em meio ao colapso. Com Existence Is Bliss, o grupo parece buscar justamente isso: uma catarse coletiva, dançante e desesperada, onde o caos vira combustível para continuar existindo — e, paradoxalmente, para se sentir vivo.

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