OVM. Crédito: Julia Peres

OVM mergulha nos ciclos da mente no novo EP ‘Senóides’

A banda OVM, do cast do selo Casalago Records apresenta o EP Senóides, novo capítulo do projeto que dará origem ao segundo álbum da carreira, “Exúvios”, previsto para ser apresentado integralmente até outubro de 2026.

Ouça o EP no streaming: https://found.ee/Senoides.

Composto pelas faixas “Vestida” e “Senoide 1 / Senoide 2”, o trabalho transita entre delicadeza, estranhamento e tensão psíquica para expandir o universo conceitual que o trio vem desenvolvendo em torno da saúde mental.

Produzido, mixado e masterizado por Gui Godoy, da Casalago Records, o EP reafirma a identidade da banda ao unir rock alternativo, indie e uma escrita que transforma desconforto emocional em narrativa musical. Senóides está disponível nas plataformas digitais, ouça aqui.

“Essa faixa é uma pausa, um suspiro, diante de todo o conceito de nosso segundo LP ‘Exúvios’”, afirma a banda sobre “Vestida”.

“Ela trata de um conto narrado em terceira pessoa, e é o segmento anterior à música ‘Nua’, que abria o primeiro LP ‘A Mosca’. Naquela música, descrevia-se a exumação de cadáveres, sendo uma delas uma mulher, todos vítimas de um crime. Em ‘Vestida’, vemos parte do que ocorreu antes do crime cometido, o início em que ela está feliz e vai celebrar algo com seus familiares.”

O grupo conta que a faixa surgiu a partir de uma revisita ao som original de “Nua”, feita no violão por Dan Nascimento. “Como ela soava mais lírica e mais suave que a primeira, a letra e melodia foram compostas pelo Mancin com a ideia de revelar outra parte daquela mesma história. Ela ora tem tons de melancolia, ora tons de alegria contida”, completa.

Já em “Senoide 1 / Senoide 2”, o OVM retorna ao eixo temático da saúde mental para abordar a esquizofrenia e seus ciclos. “A primeira parte trata de pensamentos intrusivos e resultantes de paranoias e delírios quando quem sofre do transtorno está em crise, a fase ativa.

A segunda parte apresenta um curto momento de estabilização dos pensamentos, chamada fase residual. O medo de que a crise venha novamente e que o aponte como centro de atenções do público julgador está expresso nas palavras ‘e se o ciclo vencer, eu não vou suportar os olhos desse povo’”, explica a banda.

A construção da música partiu de um compasso incomum, em 7/8, a partir de uma linha de baixo criada por Mancin. Meses depois, a letra tomou forma e a estrutura foi ganhando novas camadas com contribuições de Dan Nascimento na guitarra e Eddie no baixo.
A OVM

Formada em 2014, a OVM é composta por Mancin, Dan e Eddie e já construiu uma trajetória singular dentro do rock alternativo brasileiro ao combinar letras densas, melancólicas e críticas com arranjos vibrantes, por vezes dançantes.

Com influências que passam por Radiohead, Nirvana, Queens of the Stone Age, Pink Floyd e Chico Buarque, o trio vem desenvolvendo uma obra autoral marcada por antagonismos, desconforto e observação da psique humana.

Desde o álbum de estreia A Mosca (2018), o grupo vem construindo uma obra marcada por letras densas, crítica existencial e arranjos vibrantes. Em 2026, segue apresentando o segundo disco, Exúvios, que aborda saúde mental em faixas lançadas em capítulos.

Em “Senóides”, essa assinatura aparece de forma ainda mais nítida: de um lado, uma canção que expande a narrativa de seu disco de estreia; de outro, uma faixa dividida em ciclos que traduz musicalmente a instabilidade de uma mente em conflito.

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