Teago Oliveira. Crédito: Divulgação

Talentoso, solidário e empático: o moço baiano

Bah, guri, mas tu és mesmo muito foda!

Naquela noite quente de sexta-feira, primeiro dia do último mês do ano, fui conferir a então pré-debutante banda baiana _MAGLORE_ disparar sua artilharia de hits para o público cativo na segunda das duas apresentações que fez na capital gaúcha. O show aconteceu no 4º Distrito, no _Bar Agulha_, reduto da cena musical alternativa do país, do pop rock e da MPB, e, por que não dizer, de outros gêneros.

O repertório contemplou seu mais recente trabalho, o álbum V, e revisitou antigos sucessos. Eu já havia prestigiado outras passagens da banda por Porto Alegre. Só que, desta vez, como já sou mundialmente conhecido pelos meus pontuais atrasos, minha irredutível virtude fez com que eu não chegasse a tempo de ouvir a canção que abre o show: “A vida é uma aventura” — sou obrigado a concordar com o título.

Nesta última apresentação, constatei algo que já desconfiava: os baianos me surpreendem exponencialmente. 

Mas o que realmente chama atenção na banda — e aqui tenho certeza de que todos que estiveram no lotado bar porto-alegrense vão concordar — é que ela consegue reproduzir com impressionante precisão a sonoridade que se ouve nas plataformas digitais. Fiquei tentado a escrever: discos, LPs e CDs. A fidelidade às gravações originais chega ao ponto de, em dado momento, deixar a todos em dúvida se a execução era realmente ao vivo.

Há outra observação que preciso externar e registrar: denoto certa semelhança do grupo com as saudosas Los Hermanos e Legião Urbana — calma, posso explicar. Isso fica evidente na catarse e na comoção geral do público, algo muito peculiar, do qual fui testemunha ocular em shows das bandas citadas. 

Uma plateia fiel, que canta do início ao fim, a plenos pulmões, as letras das músicas. Uma emoção coletiva tomou conta do bar: mãos para cima, vozes embargadas, olhos fechados, cantos em uníssono e o choro emocionado de muitos. Momentos que se repetiram em canções como “Às vezes um clichê”, “Transicional”, “Motor”, “Invejosa” e outros sucessos.

Foi presenciando, pela segunda vez, essa verdadeira devoção dos fãs pela trupe baiana que pude ter a exatidão, a compreensão e a consciência do que ela representa para seu público. 

Entre uma canção e outra, o vocalista arrancou risos generalizados ao contar uma história inusitada sobre a primeira vinda da banda à capital. A noite foi um misto de celebração mútua, além de algumas confidências ditas pelo líder da banda soteropolitana.

No pós-show, já no apagar das luzes, interpelei de forma inusitada o vocalista, que se mostrou solícito e atencioso. 

Inicialmente, elogiei o grupo pela performance e falei da minha admiração pela banda, que considero uma das melhores do país na atualidade. Depois, falamos da cena musical e de algumas referências da cultura brasileira. Foi quando Teago Oliveira mais uma vez me surpreendeu positivamente ao confidenciar ser fã ardoroso de Nei Lisboa, a quem tem como grande influência musical. Nesse momento, tentamos minimamente compreender como o artista, introspectivo e tímido, faz uso de um sarcasmo tão sagaz e de figuras de linguagem que só ele consegue imprimir na obra.

Foi quando falamos de uma canção em especial, algo que nos deixou emocionados só de citarmos: “Doody II”, música que integra o primeiro trabalho do artista caxiense, o icônico álbum _Pra viajar no cosmo não precisa gasolina_. Título que o inspirou, inclusive, a compor “Não existe saudade no Cosmo”, gravada por Erasmo Carlos e pela banda mineira Pato Fu.

Em meio a esse bate-papo rápido, indaguei sobre seu trabalho solo, _Boa Sorte_, lançado em 2019, tão bom quanto o realizado pela competente banda, mesmo com propostas distintas. Ele, mais uma vez, mostrou o quanto é empático, solidário e possui elevado senso de coletividade, responsabilidade e espírito de liderança ao declarar que pretende retomar o projeto solo futuramente, sendo a Maglore sua prioridade agora.

É nesse momento que se percebe a grandeza de um artista e seu grau de altruísmo ao priorizar os colegas de banda e adiar um antigo sonho. Afinal, prioridades também flertam com a empatia, não é mesmo?

Parafraseando sua libertadora canção “Espírito Selvagem”:  

_”Se o segredo do sucesso é ser oblíquo e ser discreto, tu realmente falhou…”_

Pois o baiano Teago Oliveira retorna à capital dos gaúchos para o lançamento do seu segundo álbum solo, _Canções do Velho Mundo_. Desta vez, sobe ao palco da Rádio Agulha para uma apresentação de voz e violão, hoje, às 20h. 

É, meu amigo Teago, às vezes um mero clichê são apenas verdades que precisam ser ditas:

Bah, guri! Mas tu é mesmo tri legal. Muito afudê, baiano!!!

Hoje dia 07 de maio, Porto Alegre recebe o show de Teago Oliveira, cantor, compositor e vocalista da banda Maglore. 

Com um show intimista, em formato voz e violão, Teago apresenta canções do seu segundo álbum solo, _Canções do Velho Mundo_, trabalho que percorre memórias, afetos e pequenas epifanias num mundo que, felizmente, resiste em meio ao caos moderno. O disco dá continuidade à trajetória iniciada com _Boa Sorte_ (2019), elogiado pela crítica e pelo público, e reafirma o caminho autoral de um artista em constante reinvenção.

À frente da Maglore, grupo com cinco discos de estúdio lançados, Teago consolidou-se como uma das vozes mais marcantes da música brasileira contemporânea. Como compositor, teve canções gravadas por nomes como Gal Costa, Erasmo Carlos e Pitty, prova de um repertório que atravessa gerações e linguagens.

SERVIÇO

 *Informações*

*Nome do evento:* TEAGO OLIVEIRA (Maglore) em Porto Alegre – _Canções do Velho Mundo_  

*Data:* 07/05/2026  

*Abertura:* 18h  

*Show:* 20h  

*Local:* Rádio Agulha  

*Endereço:* Av. Cristóvão Colombo, 545 – Floresta, Porto Alegre

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