Daniel Gnatali lança nesta sexta-feira (17 de abril) o EP “Antes do sol”, com faixas que exploram um tom contemplativo e onírico. O material prepara o terreno para o segundo EP, “Manhã de festa”, previsto para o fim do ano, que traz um lado mais concreto e dançante.
Os dois trabalhos capturam momentos distintos de um mesmo processo criativo. “Antes do sol” foca na sugestão e no mistério, com influências de folk-pop dos anos 1960 e 1970, como Beatles e Beach Boys. “Manhã de festa” avança para a experiência cotidiana, com ritmos de rua e corpo.
“Ventre a luz do mundo” abre o EP em estado de suspensão, ancorada na ideia de origem. Nina Becker, irmã de Gnatali, participa da faixa. “Estação” retrata a instabilidade do amor em leveza country-rock, com synths de Antonio Guerra ampliando a sensação de movimento.
“Dear to me” e “Lady Lo”, ambas em inglês, evocam baladas dos anos 1960. As músicas começaram como demos caseiras nos anos 2010, com Gabriel Mayall, e foram finalizadas agora, com co-produção dele e de Guerra.
“Quando me mudei” fecha o EP com rock brasileiro dos anos 1970, ecos de Rita Lee e Belchior. A letra acompanha a mudança de Gnatali para Visconde de Mauá, processo de autoconhecimento que dialoga com “Back in Bahia”, de Gilberto Gil. A faixa conecta os dois EPs, da névoa ao concreto.
Antonio Guerra, amigo de infância chamado “Tonico” por Gnatali, produziu o material. Ele incentivou o artista a investir no projeto. Os arranjos, incluindo cordas e sopros assinados por Guerra, destacam a diversidade das faixas.
Gnatali explica sua assinatura como compositor: une folk, samba, forró, rock e pop em temas como amor instável e tempo. Ele cresceu com influências familiares – mãe fã de Jovem Guarda e Beatles, pai sobrinho de Radamés Gnattali, maestro da era de ouro da música brasileira.
A divisão em EPs veio de sugestão de Kassin. Gnatali vê nisso sua dualidade: aérea e produtiva, desenho e música, samba e pop em inglês. “Gosto da dualidade como pulsação da vida”, diz.



