Quase três anos após o último álbum, o músico goiano Gabriel Martins, de 23 anos, retorna com o terceiro disco do projeto solo Dezert Horse. Intitulado “DEZERT HORSE”, o trabalho chegou dia 13/02 em todas as plataformas (ouça abaixo) e marca uma fase mais direta e pessoal do artista, tanto nas letras quanto na forma de cantar e produzir.
Depois de apresentar os álbuns “Horizonte” e “Você Não Corre Mais”, que traziam temas ligados à natureza, ao tempo e à pressa da vida, Gabriel agora coloca o foco em si. A proposta do autointitulado, segundo o próprio músico, é assumir as emoções sem disfarces e tornar a voz e as palavras o centro da experiência.
O projeto ganhou forma durante a pandemia, quando muitos artistas passaram a gravar e lançar material de maneira caseira. Com referências apontadas como Tame Impala, Boogarins e Boards of Canada, o Dezert Horse também carrega uma inspiração que vem de uma música do Melody’s Echo Chamber. A estreia aconteceu com o EP “Time Lapse” (2020), seguido dos primeiros álbuns em 2021 e 2023, além de singles em colaboração com nomes da cena.
Musicalmente, o novo disco mantém características já associadas ao projeto — graves marcantes, recortes e efeitos psicodélicos —, mas amplia o leque ao cruzar gêneros. O álbum sugere caminhos como uma bossa nova psicodélica em “Até Onde” e um reggae sobre beat na faixa de abertura. Essa primeira música, “Eu Penso no Tempo”, ainda conversa com a temática do trabalho anterior, mas com uma abordagem que o texto descreve como mais madura e consciente.
Em fala atribuída ao artista, Gabriel afirma que este é o álbum mais íntimo que já fez. Ele diz que, nos discos anteriores, tentava esconder o que sentia, o que deixava a compreensão das palavras e dos instrumentos mais difícil, com muita atmosfera e colagens sonoras. Agora, a intenção foi ser ouvido com clareza: cantar mais alto, colocar a voz como centro e reduzir o maximalismo dos arranjos, mantendo a “lisergia” do projeto, mas de um jeito mais interno e “pé no chão”.
Como em outros lançamentos, Gabriel assume grande parte das funções no estúdio, cuidando da captação, mixagem e composição. Ainda assim, o álbum tem participações e colaborações pontuais. Armando Ganwalk (florfruta) aparece na segunda faixa, “Ontem”, e Alejandra Luciani (Carabobina) participa em “Amanhã”. Raphael Vaz (fefel, do Boogarins) colabora com a letra de “Rufião”, faixa que também conta com mixagem e co-produção de Benke Ferraz (Boogarins). A masterização do disco fica com Alejandra Luciani.
Além do álbum, o projeto também apresenta um single com clipe. “Nem Queria Ver o Fim” teve direção de arte assinada por Gabriel e Caeu Santo, com visuais e efeitos de Kauã Nascimento. A gravação é creditada a Caeu Santo, Eduardo Teles e Matheus Rabelo, e a edição ficou por conta de Nataly Martins.



