A banda PontoNemo lançou o EP Polo de Inacessibilidade do Pacífico, primeiro trabalho do trio formado por Tizo, Gabz e Demarchi. Com seis faixas, o projeto marca os quatro anos de trajetória do grupo ao mergulhar nas atmosferas do emo revival e do dream pop para construir uma narrativa sobre isolamento emocional, distância e incomunicabilidade.
A título de curiosidade, Inspirado no chamado Ponto Nemo, local mais afastado de qualquer massa terrestre no planeta, o EP utiliza essa referência geográfica como metáfora para explorar saúde mental, arrependimentos e desconexão. O nome Nemo, que em latim significa ninguém, conduz toda a identidade conceitual do disco, apresentando uma personagem presa entre memórias do passado e expectativas irreais sobre o futuro.
Musicalmente, Polo de Inacessibilidade do Pacífico aposta em contrastes intensos. Enquanto a base rítmica carrega uma melancolia quase letárgica, as guitarras surgem densas, saturadas e carregadas de reverberação. Dessa forma, a PontoNemo constrói uma atmosfera claustrofóbica que transforma o silêncio e a imensidão do oceano em experiência sonora.
A influência de nomes como Slowdive, M83 e Sonic Youth aparece na construção das camadas instrumentais e no uso do clássico wall of sound. Ainda assim, o trio imprime uma agressividade contemporânea ao trabalho, fazendo da distorção não apenas um recurso estético, mas também uma representação física da angústia e da pressão emocional.
A faixa de destaque, Eco, sintetiza a proposta do EP ao equilibrar peso, introspecção e emoção. A canção evidencia a força do emo produzido na Serra Gaúcha e reforça a capacidade da banda de dialogar tanto com fãs do gênero quanto com novos ouvintes em busca de autenticidade e densidade sonora.
Todo o projeto foi produzido de forma independente pelo próprio trio em parceria com Yuri Maia, responsável por conduzir as etapas de gravação e produção no Rio Grande do Sul. O resultado é um registro emocionalmente cru, mas tecnicamente detalhado, que consolida a PontoNemo como um dos nomes promissores da cena alternativa nacional.
E digamos aqui: O debute da PontoNemo é uma travessia. É um deserto emocional. A coexistência do silêncio, distância e ruído se destaca de modo brutal.
Não há firulas. No final das seis faixas você quer mais da banda. E isso teremos que esperar.



