O Dead Dads Club prepara sua estreia com um álbum autointitulado que chega em 23 de janeiro de 2026 pela Fiction Records, um selo historicamente associado à cena indie britânica e a nomes como The Cure e Elbow. À frente da banda está Chilli Jesson, figura já conhecida do público alternativo por ter sido baixista e cofundador do Palma Violets, um dos grupos que sacudiram o rock britânico no início dos anos 2010 com sua mistura de garage e energia juvenil.
Após o fim do Palma Violets, Jesson se aventurou em carreira solo, lançando singles introspectivos que misturavam indie rock e folk urbano, explorando temas como solidão e amadurecimento. O Dead Dads Club surge, então, como uma extensão natural dessa fase, mas com um som mais direto e coletivo, transformando experiências pessoais em algo mais abrasivo e catártico.
O disco, que leva o nome da banda, nasceu a partir das experiências de Jesson após a morte de seu pai. Longe de ser um registro fúnebre, o álbum parece lidar com o luto como ponto de partida para a reconstrução. As letras transitam entre o existencial e o cotidiano, enquanto o instrumental combina peso e melodia em doses equilibradas. Há um senso de desabafo e urgência que remete tanto ao rock britânico clássico quanto à atual geração de bandas pós-pandemia — um espaço onde vulnerabilidade e vigor convivem lado a lado.
O primeiro single, Goosebumps, já está disponível e serve como porta de entrada para esse universo. A faixa vem acompanhada de um clipe e traz versos em que Jesson ironiza o poder e o cinismo contemporâneos: “Cresci temendo homens de terno em escritórios, mas agora são os geeks do vale que vendem salvação enquanto perseguem poder… e eles me assustam ainda mais; pelo menos os políticos sempre foram corruptos, então sabíamos onde estávamos pisando.” Com guitarras pulsantes e refrão inflamado, Goosebumps soa como um grito entre o desencanto e a libertação — uma ponte entre o passado e a nova identidade sonora do músico.
O álbum reúne 11 faixas: It’s Only Just Begun, Volatile Child, Humming Wires, Goosebumps, Junkyard Radiator, Running Out Of Gas, That’s Life, Don’t Blame The Son For The Sins Of The Father, Need This Around, Hospital Pillow e Need You So Bad. A sequência sugere um percurso emocional que vai do impulso de recomeçar ao reconhecimento das feridas que ficam.
Antes do lançamento, o Dead Dads Club sobe ao palco do Troxy, em Londres, no dia 14 de novembro, ao lado dos Sprints. O show servirá como uma espécie de aquecimento para a chegada do disco e a primeira chance de o público ouvir Goosebumps ao vivo — um momento simbólico para uma banda que transforma o trauma em celebração e o luto em força criativa.
Com single divulgado, data marcada e repertório definido, o Dead Dads Club se posiciona como um dos nomes mais promissores da nova cena britânica. Há algo de cru e ao mesmo tempo profundamente humano na música de Chilli Jesson: ele escreve como quem observa a própria cicatriz, sem tentar escondê-la. Dead Dads Club promete ser mais que um álbum de estreia — uma tentativa sincera de entender a perda, redescobrir a vida e transformar a dor em ruído bonito.



