Daphni. Foto: Reprodução.

Daphni anuncia álbum ‘Butterfly’ e libera dois singles

O produtor canadense Dan Snaith está de volta com um novo capítulo de sua persona mais voltada às pistas: o Daphni. O álbum “Butterfly”, previsto para 6 de fevereiro, marca o retorno do artista ao selo da música eletrônica após o elogiado Cherry (2022) — e chega acompanhado de dois singles já disponíveis, “Waiting So Long” e “Lucky”.

Snaith, que há duas décadas se divide entre diferentes identidades musicais — o eletrônico hipnótico de Caribou, o hedonismo rítmico de Daphni e o projeto de house mais experimental Manitoba, do início dos anos 2000 —, parece cada vez mais disposto a derrubar as fronteiras entre seus alter egos. Em entrevista recente, o produtor explicou que “Waiting So Long”, faixa que traz os vocais de Caribou, surgiu de forma totalmente espontânea. “Parece como se o Daphni tivesse sampleado o Caribou”, brinca. “Já não vejo sentido em separar esses universos; é tudo parte do mesmo processo criativo.”

Com 16 faixas, Butterfly amplia o território que Snaith vem construindo há anos — um espaço entre o som de clube e a experimentação melódica. O repertório inclui as já conhecidas “Sad Piano House” e “Clap Your Hands”, e, segundo o próprio artista, foi pensado “para os meus sets de DJ”, mesclando faixas feitas para a pista com outras mais introspectivas, que “funcionam apenas no clube certo, na hora certa”.

O método de trabalho reforça essa ligação direta com o ambiente noturno: antes de finalizar o disco, Snaith testou praticamente todas as músicas em uma apresentação extensa no clube Open Ground, em Wuppertal, Alemanha — espaço que descreve como “um exemplo ideal de som e comunidade na cena eletrônica”. É nesse contexto que Butterfly ganha sentido: um disco moldado pela resposta física e emocional do público, pelo calor da pista e pela escuta atenta.

Com Daphni, Dan Snaith sempre parece buscar o equilíbrio entre o analógico e o digital, entre o transe e a estrutura. Em Butterfly, a promessa é de uma imersão mais livre e menos cerebral, guiada pela intuição de um produtor que já provou ser capaz de transitar entre o pop e o techno sem perder identidade. Enquanto o Caribou olha para dentro, o Daphni olha para o corpo — e neste novo voo, Snaith parece ter encontrado a perfeita sobreposição entre ambos.

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