Sorry marca a terceira investida do quinteto londrino, lançada pela Domino em 7 de novembro de 2025, e amplia a fama do grupo por desconstruir rótulos a cada faixa.
Conhecidos por alternar ganchos pop com rupturas bruscas, os britânicos intensificam essa tirada no novo trabalho. “Echoes” abre o repertório com arpejos suaves que rapidamente cedem espaço a distorções densas, enquanto “Jive” encerra o disco partindo de um clima quase caseiro e desembocando em batidas industriais.
Entre esses extremos, o álbum troca de pele diversas vezes: o peso sombrio de “Love Posture” antecede a delicadeza de “Antelope”; o jazz fragmentado de “Magic” leva ao clímax ruidoso de “Into The Dark”. Já “Today Might Be The Hit” nasce de reflexões do físico Ludwig Boltzmann sobre entropia, traduzindo o conceito de caos em ritmo indie saltitante.
O título “Cosplay” reflete a ideia de que, imersos em referências on-line quase infinitas, todos imitamos algo do passado. A banda transforma essa noção em som ao amarrar citações explícitas: “Jetplane” sampleia “Hot Freaks”, do Guided By Voices, num ímpeto acelerado, enquanto “Waxwing” distorce o canto de torcida de “Mickey”, de Toni Basil, com sintetizadores sombrios e vídeo repleto de luvas e orelhas à la Mickey Mouse, dirigido pela vocalista Asha Lorenz ao lado de Flo Webb.
Com essa coleção de máscaras sonoras, Sorry prefere continuar enigmático, propondo uma experiência tão mutável quanto o próprio fluxo cultural que critica.



