Total Wife revelou em entrevista para a Our Culture Magazine os bastidores de “come back down”, disco que consolida a dupla Luna Kupper e Ash Richter após a assinatura com o selo Julias War.
Formado em 2016, o projeto nasceu em Boston, fixou residência em Nashville em 2020 e passou a integrar a cena DIY local com apoio dos músicos Ryan Bigelow, Sean Booz e Billy Campbell nas apresentações ao vivo. Depois de três álbuns entre 2021 e 2023, o grupo escolheu reduzir o equipamento — chegou a vender todos os synths para pagar o aluguel — e concentrar as gravações em guitarras, voz e edição intensiva em Pro Tools.
Luna conta que o foco foi “brincar com colagens” de trechos já registrados, esticando, fatiando e repitchando pistas até criar texturas que soassem simultaneamente guitarra e sintetizador. A estratégia aparece em faixas como “ofersi3”, construída a partir de breaks distorcidos, e “in my head”, na qual a voz de Richter recebe cortes e repetições obtidos com o sampler SP-404MK2.
Richter, responsável pelas letras, recorreu a lembranças da adolescência em Connecticut para distinguir excitação e ansiedade, tema recorrente no álbum. Segundo a vocalista, a comunicação direta com Kupper foi essencial: “Se algo causava desconforto, falávamos na hora e ajustávamos”.
Ao evitar longas passagens krautrock já exploradas em discos anteriores, “come back down” preserva o caráter onírico do shoegaze da banda, mas apresenta arranjos mais concisos. Em turnê, o encerramento “make it last” ganhou extensão de até 15 minutos, mantendo apenas um acorde enquanto vozes e camadas sampleadas se acumulam.
“Queríamos recuperar a sensação de gravar pela primeira vez, sem depender de equipamentos novos, apenas do que já sabíamos usar”, resume Kupper sobre o método que define a nova fase do Total Wife.



