Malammore. Crédito: Beatriz Silvestre.

Malammore retrata a experiência negra em Portugal com “Aurora”, álbum de estreia

O artista português Sandro Feliciano, que atua sob o nome artístico Malammore, lança seu primeiro disco em 23 de janeiro. “Aurora” é uma narrativa autobiográfica que explora a identidade, o pertencimento e a resistência cultural de um jovem negro em seu país de origem.

Nascido em 2005 em Lisboa, Malammore passou dois anos sob tutela do Estado antes de ser adotado em 2008 — data que batiza a segunda faixa do álbum. Essa experiência marca profundamente o trabalho, que reúne reflexões sobre amor, adoção e a forma como o artista se vê no mundo. “A ideia do álbum surgiu a partir de um caderno meu repleto de poemas, histórias e a forma como eu me vejo neste mundo. É um testemunho da experiência negra em Portugal, do pertencimento e da alienação. Do amor e da perda”, explica.

O disco mistura hip-hop, rap, trap e spoken word, criando uma linguagem sonora que rompe barreiras estilísticas. Malammore cita como inspiração política figuras como Malcom X, Muhammad Ali, Angela Davis e Fela Kuti. Um dos conceitos centrais de “Aurora” é a ressignificação da metáfora do “buraco negro”, invertida para “buraco branco do mundo” — representação de um universo que apaga identidades. Ao preenchê-lo com a ideia de negritude, o artista desafia narrativas dominantes e reestrutura o olhar sobre os corpos negros na sociedade.

A produção, mixagem e masterização ficaram a cargo de No Icon (Rodrigo Fernandes), na Lisbon Sound Society. A capa, intitulada “Pulverizador de Visões”, é assinada pelo artista Marcos Barreira e retrata Malammore com um frasco de perfume. “A ideia é que este álbum que sai da minha cabeça é como um perfume que vai borrifando rimas e conceitos para quem ouve”, descreve o músico.

Confira abaixo “Aurora” de Malammore

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima