O duo brasiliense de origem libanesa ‘akhi huna apresentou “PEDRAS VIVAS vol. 2”, segunda parte de seu álbum de estreia e continuidade direta da celebração de ancestralidade iniciada no primeiro volume. Com uma narrativa mais acelerada e pulsante, o ‘akhi huna mergulha em arranjos densos e diretos que dialogam com o balanço brasileiro dos anos 70 e com influências de artistas como Margareth Menezes e Prince. A obra representa o momento seguinte ao ritual de batismo introduzido anteriormente, simbolizando movimento, permanência e a experiência diaspórica que marca a identidade do duo.
As novas faixas contam com participações que expandem a narrativa musical do projeto. O cantor palestino Youssef Abad abre o disco em “sangue e continuação”, enquanto Thanise Silva contribui com flauta e arranjos em “3.2g”. A percussionista Larissa Umaytá aparece em “crema de gato”, e os vocais de Pratanes encerram o álbum em “vamo embora meu bem”. Cada colaboração reforça o espírito multicultural que atravessa o disco e amplia sua atmosfera ritualística.
O lançamento chega acompanhado de um documentário sobre o processo de criação dos dois volumes. O duo também disponibilizará uma plataforma online gratuita com as pistas individuais de cada instrumento, permitindo que produtores, DJs e interessados possam remixar e reinterpretar o material gravado. Esse movimento dialoga com a proposta do álbum, que entende a música como fluxo contínuo e compartilhado.
A dimensão afetiva do projeto do ‘akhi huna também se destaca. “PEDRAS VIVAS” presta homenagem às avós dos irmãos — Nicinha e Najla — cujas memórias e gestos deixaram marcas profundas na trajetória musical e pessoal da dupla. A capa, que mostra a avó paterna batizando o próprio filho, reforça a conexão entre fé, família e a herança libanesa-brasileira que molda a identidade artística de Dila e Mansur JP. Para eles, esse sincretismo cultural e religioso é parte essencial da história da família e ecoa no conceito de um álbum ambientado em um dia de batismo nas águas.
Um álbum que chega a ser estupidamente rico, trazendo traços de mpb, soul, sintetizadores, produção direta, linhas de baixo bem trabalhadas.
O projeto do ‘akhi huna foi realizado com o apoio do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC), ferramenta fundamental para viabilizar produções independentes de grande relevância para a cena artística local.



