Florence + The Machine retorna no sexto álbum, “Everybody Scream”, lançado pela Polydor Records, trazendo uma explosão sonora que converte experiências pessoais de Florence Welch em um ritual coletivo de libertação.
A compositora explicou ao Guardian que a faísca do projeto foi um quadro de gravidez ectópica sofrido durante turnê, que exigiu cirurgia de emergência. Dez dias depois, ela voltou ao palco, decisão que norteia a urgência sentida ao longo das 15 faixas.
Ao invés de hits radiofônicos, Welch aposta em vozes quase animais: retomou aulas de ópera e convocou o Idrîsî Ensemble e o Deep Throat Choir, criando o que chama de “witch choir”. A abordagem atinge o ápice em “Witch Dance”, onde percussões lembram rituais ao ar livre, e em “Drink Deep”, sustentada por sinos de vento e tambor ancestral.
Referências a autores como Brontë e Mary Shelley convivem com observações sobre vida online. Em “Perfume and Milk”, a cantora menciona leituras de tarô no TikTok; já “Kraken” descreve a distância entre corpo e mente enquanto a água “sobe ao redor”.
Temas de desigualdade de gênero aparecem em “One Of The Greats”, que contrasta a liberdade de colegas homens com a cobrança constante sobre artistas mulheres, e em “Music By Men”, onde ela “desliza no assento para não ameaçar” enquanto ouve The 1975.
O álbum se encerra com “And Love”, um sussurro apoiado em harpas, sugerindo alívio após a tempestade. “Everybody Scream” evita conclusões fáceis, preferindo oferecer um espaço de partilha para dores que muitas mulheres enfrentam em silêncio.



