A Corujones lançou em 29 de julho o single “Ei, Ai”, primeiro aperitivo do EP “Os Microplásticos”, que chega em outubro pelo selo Monstro Discos. A faixa é uma crítica direta à relação da sociedade com a tecnologia e com a inteligência artificial.
Se o título brinca com a fonética da sigla IA, a letra vai além. A música fala sobre a perda de soberania humana diante dos algoritmos e o estranhamento de uma rotina cada vez mais presa às telas. É uma crônica sobre a desconexão, uma radiografia da nossa obsolescência diante do conforto anestesiante dos chatbots.
Na sonoridade, a banda aposta em um diálogo inventivo entre o rústico e o eletrônico. O violão de aço, visceral, se encontra com slides cortantes e texturas eletrônicas que soam como estática de um mundo prestes a entrar em colapso.
“É bye bye pro tio Sam”, brada um trecho da letra, decretando o fim de uma era de hegemonia tecnológica que prometeu conexão total e entregou solidão absoluta. Em meio ao bombardeio de dados, a proposta da Corujones é de fuga: puxar o plugue da tomada, fincar os pés no chão e resgatar o fôlego diante do mundo real.



