Angelo De Augustine lançou seu novo álbum, “Angel in Plainclothes”, e revelou as oito principais inspirações por trás do trabalho. O disco, que marca um período de recuperação para o artista após uma internação em 2022, foi escrito, gravado e produzido por ele, mas contou com a participação de outros músicos pela primeira vez em anos.
O cantor-compositor, conhecido por seu processo criativo solitário, precisou de ajuda devido ao peso físico de assumir todas as etapas da produção. Entre os colaboradores estão o arranjador de cordas Oliver Hill, a harpista Leng Bian, o produtor Thomas Bartlett e sua mãe, Wendy Fraser.
A história de fundo do álbum é a recuperação de De Augustine após ser hospitalizado com uma doença não diagnosticada no início de 2022. Ele precisou reaprender a andar, falar, ver, ouvir, tocar música e cantar, conforme ele mesmo relatou em 2023. Apesar de ser um período devastador, o álbum não é um registro de sofrimento, mas sim uma expressão de intimidade e gratidão pela ajuda recebida. “Às vezes a vida é demais, sabe”, disse De Augustine em 2023. “Angel in Plainclothes” retrata um artista determinado a viver.
Em uma entrevista, Angelo De Augustine detalhou as principais influências do novo álbum:
1. Jornada de cura: O álbum foi escrito e gravado em cerca de um ano, entre 2024 e 2025, um período mais rápido que seu trabalho anterior, “Toil and Trouble”. As músicas vieram de um “lugar similar”, refletindo sua recuperação. Ele explicou que a cura não é linear e o processo o fez questionar o que é “normal”.
Após muita pesquisa própria, De Augustine acredita que o estresse prolongado pode levar o sistema nervoso ao limite, um estado chamado “carga alostática”. Isso pode fazer com que o cérebro permaneça em modo de “luta ou fuga”, criando sintomas fisiológicos sem causa biológica. Ele descobriu que acalmar o sistema nervoso ajuda os sintomas a desaparecerem, um processo de aprender a confiar novamente no próprio corpo e cérebro, que é neuroplástico e pode mudar.
2. Contratação de músicos externos: Incapaz de realizar todas as tarefas físicas da produção, De Augustine convidou outros músicos. “Eu geralmente faço praticamente tudo sozinho nos meus discos”, disse ele. “Mas como eu precisava de ajuda com alguns aspectos físicos de fazer um disco, contratei algumas pessoas para tocar.” Sua mãe, Wendy Fraser, contribuiu com vocais de apoio e percussão. Ele permitiu que os músicos tocassem o que quisessem, sem microgerenciamento, resultando em performances mais espontâneas.
3. Kauai: Uma viagem ao Havaí antes de finalizar o álbum foi um passo importante na sua recuperação. “Ir para lá foi importante porque foi a primeira vez que eu tinha pegado um avião desde tudo o que aconteceu comigo no hospital”, contou. A ilha isolada o ajudou a provar a si mesmo e ao seu cérebro que ele era capaz de fazer as coisas novamente. Além disso, a beleza do lugar, com mergulhos diários para ver peixes, proporcionou uma mudança de cenário e esperança.
O álbum também explora o desejo de “lar”, que para De Augustine significa se sentir ele mesmo novamente. “Minha versão de lar é provavelmente a versão da maioria das pessoas, que é apenas se sentir você mesmo. Não é realmente um lugar; é apenas se sentir em casa dentro de si”, explicou.
4. Medalhão de Maria: O título “Angel in Plainclothes” (Anjo à paisana) se refere a símbolos ou pessoas que surgem para ajudar em momentos difíceis. Para ele, a figura da Virgem Maria se tornou um símbolo de conforto e proteção. Ele usa um medalhão dourado da Virgem Maria e há muitas referências a ela nas letras do álbum. Tendo crescido com uma mãe solteira, figuras maternas são muito importantes para ele.
5. Natação: A natação foi crucial em sua recuperação. Ele se associou a um spa local e ia quase todos os dias. “Foi a primeira coisa que realmente fez a diferença para mim”, afirmou. Na água, seus sintomas desapareciam, pois ele se sentia calmo e seguro. Essa descoberta foi fundamental para acalmar seu sistema nervoso e trazê-lo de volta à homeostase.
6. Retreinamento cerebral: De Augustine participou de um programa de retreinamento cerebral, que ajuda pessoas com sintomas inexplicáveis por médicos. Ele descreve o programa como uma forma de “dizer ao cérebro que ele está seguro” através de movimentos e visualizações, reprogramando as vias neurais. Ele ressalta que a música, para ele, é algo mais espiritual e misterioso, não um “músculo” ou “ofício”, embora reaprender a tocá-la tenha parecido um processo físico.
7. Instrumentos raros e antigos: Embora a produção não seja sua maior preocupação, ele gosta de usar instrumentos menos conhecidos para dar um som único aos seus discos. “Eu só seleciono aqueles que menos pessoas conhecem, só porque eu gostaria que meus discos soassem como meus discos”, disse. Ele coleciona esses instrumentos, frequentemente os encontrando em lojas, online ou com amigos, e muitos precisam de reparos.
8. Não tentar demais: De Augustine confessou que, antes de sua doença, seu único foco era ser um “grande compositor”, o que o levou a negligenciar sua saúde. Agora, ele prioriza seu bem-estar. “Eu preferiria muito mais ser saudável, feliz e bem do que ser um grande compositor”, afirmou. Ele explica que “não tentar” significa não se forçar de forma prejudicial ou negligenciar a si mesmo em prol da carreira. Para ele, a saúde e o bem-estar dos artistas são mais importantes do que a “grande arte” que possam produzir.
O álbum “Angel in Plainclothes” de Angelo De Augustine está disponível via Asthmatic Kitty.
(Via: Our Culture)



