O Lollapalooza Brasil 2026, realizado no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, atraiu cerca de 285 mil pessoas ao longo de três dias. A 13ª edição do festival se consolidou como um evento para a família e um retrato cultural diverso, impulsionado por uma curadoria que misturou nomes do indie underground com artistas internacionais de grande sucesso.
A sexta-feira foi marcada pela presença de um grande público adolescente, especialmente fãs da americana Sabrina Carpenter, que lotou o palco com hits pop. O sábado teve um contorno queer, com destaque para Chappell Roan, enquanto o domingo se transformou em um programa familiar, com crianças e adolescentes vestindo camisetas da banda Katseye.
Um dos símbolos desta edição foram os leques, que, vindos da cultura LGBTQIA+, se espalharam pelo público como resposta ao calor e se tornaram uma linguagem coletiva.
Musicalmente, o festival apresentou uma mistura de estilos. No pop, além dos já citados, Addison Rae surpreendeu com um show. No rap e R&B, Doechii entregou uma performance energética, considerada uma das melhores da sexta-feira, e Tyler, the Creator confirmou sua força no domingo.
A música eletrônica teve nomes como Skrillex, Peggy Gou e o japonês Yousuke Yukimatsu, que realizou um dos sets mais intensos da história do Lollapalooza. O rock também mostrou sua força, com Deftones, Turnstile, Interpol e Viagra Boys, e a sexta-feira, o dia mais roqueiro, esgotou os cem mil ingressos.
Entre os artistas nacionais, Cidade Dormitório e FBC se destacaram, e Agnes Nunes levou brasilidade ao palco principal, dividindo momentos com Sandra de Sá. A estreia do K-pop no festival aconteceu com RIIZE, e The Warning mostrou o impacto de seus shows.
Apesar da boa organização em termos de alimentação, bebidas, banheiros e segurança, com nenhum incidente registrado, a estrutura do festival levantou questões. A distância entre os palcos, os gargalos de circulação e a má drenagem em algumas áreas foram pontos críticos. O calor intenso, sem as chuvas habituais, também dificultou a busca por sombra.
O som estava em volume alto, chegando a incomodar em alguns momentos, embora tenha funcionado bem para shows específicos como o de Doechii. A curadoria buscou equilibrar nomes consagrados e novidades, com 15 das 34 atrações internacionais fazendo sua primeira apresentação no Brasil.
O guitarrista da banda Hurricanes, Leo Mayer, compartilhou sua experiência: “Tocar no Lolla foi um sonho! Além de ser um dos maiores festivais do Brasil, é conhecido pelas descobertas e por ter um público muito aberto e receptivo. Ficamos na expectativa de como o público receberia as duas músicas inéditas do nosso setlist, mas a resposta foi incrível. Fomos muito abraçados e, mesmo no calor extremo, a galera ficou com a gente até o final. Foi lindo!”.
As ativações de marcas, como a da Budweiser com toca-fitas cassete, foram um acerto ao conectar diferentes gerações. No entanto, o espaço ocupado por estandes pequenos em áreas de circulação críticas ainda é um desafio.
O Lollapalooza Brasil 2026 demonstrou uma clara transformação, tornando-se mais pop, jovem e diverso, ao mesmo tempo em que manteve espaço para o rock e para novas descobertas. O festival provou sua relevância, mas também indicou a necessidade de evoluir na estrutura para acompanhar seu próprio crescimento e a multiplicidade de públicos que atrai.



