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Como o rock está lidando com sua crise existencial


Resumo
  • ▪ O rock perdeu o monopólio da revolta, mas mantém sua essência de raiva.
  • ▪ O gênero se tornou mais "confortável" ao longo dos anos, com bandas que buscam aprovação em vez de contestação.
  • ▪ A sobrevivência do rock reside em sua capacidade de mistura e de não se prender a definições puristas.

Em artigo de Alexandre Bezzi, publicado em 25 de setembro de 2026, é discutida a crise existencial do rock e sua evolução ao longo das décadas. O autor argumenta que, embora o gênero tenha perdido o monopólio da revolta, ele ainda possui raiva, o que garante sua continuidade.

Bezzi relembra um tempo em que o rock era sinônimo de caos e inconformismo. Artistas como GG Allin, Guns N’ Roses e a rivalidade entre Liam e Noel Gallagher do Oasis exemplificavam a natureza inconveniente e imprevisível do gênero. Nos anos 90, o Nirvana e o grunge transformaram a angústia em um produto de massa, com Kurt Cobain expressando um paradoxo entre ódio à fama e ascensão ao estrelato.

Os anos 2000 ainda contaram com figuras como The Libertines e Amy Winehouse, que, cada um à sua maneira, trouxeram uma forma de perigo e vulnerabilidade à cena musical. Contudo, o texto aponta uma mudança: o rock teria se tornado “confortável”. Bandas como Maroon 5, Foo Fighters e Imagine Dragons são citadas como exemplos de um som mais corporativo, que busca aprovação em vez de contestação.

O autor ressalta que o problema não é o sucesso, mas sim quando a rebeldia se torna apenas uma estética, sem a disposição de contrariar. No entanto, Bezzi argumenta que a salvação do rock reside em sua natureza “bastarda”, nascida da mistura de diversos estilos como blues, rhythm and blues, gospel, country e música negra americana.

Artistas contemporâneos como Idles, Fontaines D.C., Turnstile, Wet Leg, Big Thief e Baby Berserk são mencionados como exemplos de bandas que estão “bagunçando a casa” e reinventando o gênero. Idles mistura pós-punk e hardcore, Fontaines D.C. resgata a tradição literária irlandesa, e Turnstile combina hardcore, metal e pop. Wet Leg e Big Thief exploram o humor e a experimentação, enquanto Baby Berserk une synth-pop, punk-rock e arte.

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No Brasil, produtoras independentes como a Balaclava Records contribuem para a vitalidade da cena alternativa, com seu festival oferecendo um espaço para novos nomes e mantendo a conexão com a música internacional. Nomes como DIIV, Blonde Redhead e Terno Rei já passaram por esse circuito.

A conclusão do artigo é que o rock não desapareceu, mas deixou de ser o centro do universo, uma mudança que pode ser saudável. O gênero perdeu o monopólio da revolta para o hip-hop, música eletrônica, funk e internet, mas sua raiva ainda persiste. O rock do futuro, segundo Bezzi, pode ter menos couro e mais sintetizadores, maquiagem e elementos eletrônicos, surgindo de lugares inesperados e sem a aprovação dos puristas ou departamentos de marketing. Sua natureza “bastarda” é a chave para sua sobrevivência.

(Via: Music Non Stop)

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