MABI Foto: Divulgação

MABI lança seu 1º álbum imersivo reforçando o manifesto instrumental afro-brasileiro

O trio MABI lançou seu álbum de estreia, MABI, marcando um início que vai além da música. A sigla significa música afro-brasileira improvisada e define bem a proposta do grupo: unir criação livre com um manifesto sobre a presença negra na música brasileira.

Formado por Trovão Rocha, Gabriel Barbalho e Lucas Fê, o disco nasceu de uma imersão criativa em Florianópolis. A ideia inicial era compor, mas o processo evoluiu: a casa onde estavam virou estúdio, e as gravações aconteceram ali mesmo, de forma espontânea.

Em apenas três dias, o trio saiu de cinco para nove faixas, muitas delas registradas a partir de improvisos e trocas diretas entre os músicos. Parte dessas gravações foi mantida no álbum, reforçando o caráter orgânico do trabalho.

“Teve muita coisa bonita que apareceu nesses momentos mais livres. Algumas dessas gravações ficaram tão especiais que decidimos manter no disco”, contam os três músicos.

Na sonoridade, o MABI mistura instrumentação de jazz improvisado cheio de textura, com influência direta das vivências e da oralidade. O álbum ainda conta com participações de François Muleka (no single “Irmandade Preta”) e Marissol Mwaba (em “Aclimação”), ampliando o diálogo com a diáspora africana.

Produzido por Francis Pedemonte e com captação de Renato Pimentel, o disco se apresenta como um registro direto do processo criativo — sem polimento excessivo, mas com identidade clara.

Mais do que um debut, MABI se posiciona como proposta estética e política, mostrando que a música instrumental também pode ser espaço de discurso, memória e afirmação cultural.

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