Mike Joyce detalha reação dos fãs à política de Morrissey, apontando que parte do público passou a evitar as músicas do The Smiths após as declarações do ex-vocalista, mas ressalta que cada um decide como lida com a obra.
Em entrevista ao Guardian para divulgar a autobiografia “The Drums”, que chega às livrarias nesta quinta-feira (6 de novembro), o ex-baterista relembrou o período na banda, os processos judiciais e as polêmicas políticas de Morrissey. Segundo Joyce, o cantor “parece muito zangado com muitas coisas” e sustenta posições “muito diferentes das minhas”.
As controvérsias ganharam força em 2016, quando Morrissey chamou o resultado do Brexit de “magnífico” e elogiou Nigel Farage. Dois anos depois, publicou carta dizendo “detestar racismo e fascismo”, mas declarou apoio ao partido de extrema-direita For Britain. Em 2019, usou no programa de Jimmy Fallon um distintivo da mesma sigla.
“Ouço gente dizer: ‘Não consigo ouvir The Smiths, não separo arte de artista’. Se é assim que a pessoa sente, tudo bem”, comentou Joyce, admitindo que não entende completamente a opção, já que sua própria visão é “muito diferente”.
O músico também abordou a relação “incomum” com Morrissey durante os anos 1980: “Ele quase não falava comigo, mas era muito engraçado, com humor cortante. Apenas éramos pessoas muito diferentes”.
Joyce ainda recordou o reencontro com Johnny Marr em maio de 2024, num ato privado em Manchester para homenagear Andy Rourke, morto por câncer de pâncreas. Eles não conversavam desde 1996, ano em que Joyce processou Marr e Morrissey por royalties, vencendo a ação e recebendo £1 milhão.
Enquanto promove o livro, Joyce diz estar focado no passado musical, mesmo após Morrissey anunciar que pretende vender seus direitos nos negócios ligados ao The Smiths para se desvincular dos ex-colegas.



