Sword II, trio de Atlanta formado por Travis Arnold (27), Certain Zuko (26) e Mari González (27), anunciou o segundo álbum, “Electric Hour”, que chega em 14 de novembro pelo selo section1.
A banda ganhou atenção em 2023 ao transformar o próprio estúdio, localizado em uma rua deserta da cidade, em palco de estreia para o disco “Spirit World Tour”. A experiência DIY — eles cuidaram de som, bar e divulgação — serviu como cartão-de-visita de uma proposta que alia pós-punk fantasmagórico e conexão direta com o público.
Dois anos depois, o grupo mantém a independência técnica: o novo trabalho foi gravado no porão úmido de uma casa alugada, onde cabos elétricos antigos chegaram a dar choques e um HD queimado quase pôs tudo a perder. Mesmo assim, o processo revelou mudanças sonoras. Se o EP de 2020, “Between II Gardens”, e o álbum de estreia dialogavam com a energia de raves no centro de Atlanta, “Electric Hour” desacelera. O single “Even If It’s Just a Dream” traz violão, piano suave e vocal de González em clima de canção de ninar, contraponto à agressividade inicial.
A temática política continua. Faixas como “Passionate Nun” respondem com ironia às leis estaduais que restringiram o uso de banheiros para pessoas trans na década passada. Em vez de slogans, a banda opta por narrar um romance lésbico adolescente, misturando devoção religiosa e provocação.
Com manager, agente de turnê e passagens abrindo shows para Beach Fossils e Feeble Little Horse, Sword II prepara terreno para uma base de fãs maior, mas promete preservar o espírito de risco. “Mesmo crescendo, ainda queremos tocar em espaços DIY”, diz Zuko. “A ideia de Sword II pode viajar com qualquer pessoa, aonde ela for.”



